considerações pós-confinamento

Para quem viveu em uma caverna nos últimos seis meses, estamos vivendo em meio de uma pandemia. Cada país resolveu lidar com esse micróbio-do-caralho de um jeito: uns colocaram o povo para viver em isolamento total, outros só recomendaram alguns métodos de higiene e isolamento opcional. O Brasil, como sempre o diferentão, não fez nem um e nem outro, mas deixou todo mundo à própria sorte enquanto nossos governantes fazem da pandemia um palanque de absurdos que mistura terra-plana, cloroquina, tubaína, STF, cartas e cartas de repúdio e mais uma dose extra de desgraças que é melhor nem citar para não tornar esse post muito mórbido. Felizmente, moro na França.

Por aqui, ficamos dois meses enclausurados em nossas casas. Se saíssemos sem justificativa, tomaríamos uma multa de no mínimo 200€. Dependendo da reação ou do motivo, poderíamos até ser presos. Passei esse momento histórico dividindo meu quartinho de 16m2 com o amor da minha vida, então, no final, deu tudo bem – a pandemia me fez casar, vejam só vocês. Tirando as voltas pelos jardins da Cité e as idas ao supermercado, ficamos 60 dias e 60 noites mais próximos do que nunca, e, apesar de às vezes algumas farpas foram trocadas (afinal, não há amor que consiga evitar alguns tropeços ao conviver vinte quatro horas por dia com seu cônjuge, como eu já disse, por 60 dias!!), sinto que o sentimento saiu de tudo isso tão mais forte que não cabe mais no peito. Mas, isso é assunto para um próximo texto.

Logo, com todo esse tempo trancafiados, era de se esperar que a comoção foi sublime quando fora anunciada a reabertura progressiva a partir do dia 11 de maio. Delírio puro! Mas assim como todo o sublime, que de acordo com minha amiga Débora, é uma mistura de êxtase e terror, fiquei muito apreensiva de qual modo as coisas iriam acontecer. O eco da frase do Átila “sua vida nunca mais será como a de antes” (talvez, aqui, com um tom mais dramático do que a frase realmente dita por ele, mas que não lembro em detalhes e tenho certa preguiça de verificar), soava de vez em quando em meus ouvidos. E, não sei vocês, mas levo muito à sério o que o Átila diz.

Então, o primeiro dia chegou. Foi… estranho. Saí para comemorar o aniversário de uma amiga, e como os restaurantes não podiam abrir ainda, fizemos uma festinha na casa dela. O trem e o metrô estavam quase vazios e as ruas também, e isso deu um incomodo. Ao mesmo tempo, me abriu para questionamentos: será que Paris só é cheia por causa dos turistas? Os franceses realmente viraram responsáveis ao ponto de não querer sair? O tempo também ajudava a ter essa impressão. Parecia que São Jorge queria garantir que as pessoas ficassem em casa, então substituiu o Sol radiante dos dias anteriores por nuvens brancas, grossas e insistentes. Foi assim por, mais ou menos, uns três dias.

“deus, me deixa sair um cadin?”

À medida que o Sol saía, os parisienses também colocavam seus pés para fora da toca. Admito que em alguns momentos eu fiquei até com leves palpitações quando eu me encontrava numa rua de muito movimento. Mas aí quando eu entrava numa sorveteria para tomar meu primeiro sorvete depois de meses, derretendo na minha mão por causa da luz quente, toda a apreensão se dissipava. Quando eu e meus amigos íamos beber, finalmente, uma garrafa de vinho na beira do Sena, acompanhados de balas de gelatina e amendoins – um cardápio refinado condizente com a garrafa de cinco euros comprada -, tudo voltava a ser como antes. Eu digo, amigos, que tudo pode sim voltar à normalidade, seja lá o que isso pode significar.

Dentre os melhores dias até agora foi quando fui para uma maison de campagne com a família do meu namorado. Juro para vocês que eu nunca tinha sentido o poder de estar, alguns dias, no campo longe de tudo. O dia parecia ter de fato 24 horas. O sol se pondo às dez da noite enquanto jantávamos do lado de fora, observando o céu azul tornar-se laranja. Os cachorros, ai! os cachorros, e um gatinho também… quanto me fez bem.

E depois a pseudo-festa junina que eu achei que iria explodir de tanto comer? Deus me livre, mas quem me dera. Nunca subestime o poder de um cachorro quente com purê de batata. Não posso deixar de mencionar as cartas de tarô… Virei quase uma taróloga com doutorado em tarologia (?) nesses últimos dias.

É claro que nem tudo são flores. Ainda temos que usar máscaras e álcool em gel é o que não falta. É possível que haja uma segunda onda em breve. A crise econômica é eminente e provavelmente não terei emprego quando voltar. As aulas EAD. Acompanho todos os dias os noticiários, principalmente brasileiros, e isso me coloca de volta à realidade que é dura e fria.

Contudo, com esse post quero trazer um cadinho de esperança: uma hora volta ao normal. Um momento você também vai poder rever seus amigos. Já, já você vai estar sentado na carteira da universidade que até março você adorava odiar e que agora não vê a hora de sofrer de forma presente de novo. Você vai comer de novo a coxinha da tia Bia. E vai poder abraçar os seus avós. O mundo vai continuar uma bosta como sempre foi e o capitalismo vai continuar aí, (com crises sustentadas pelo estado à base da exploração do trabalhador, mas vai), porém, ao menos teremos de volta o contato físico e a troca de ares que torna todo esse cenário apocalíptico um pouco mais fácil de suportar.

i. então eu resolvi reler dom casmurro

Ou: read along with me

Em uma dessas discussões infinitas na internet, dentre elas ‘se bentinho foi ou não traído por capitu’ e ‘como sou culto por saber sobre uma das discussões mais conhecidas da literatura brasileira’, um cerumano teve a pachorra de dizer:

– Ai, Machado de Assis nem é tudo isso.

Detalhe: no grupo do curso de Letras da minha faculdade. Sim, estudante beletrista. Não, não tem noção alguma.

Até expliquei no Twitter que não tem problema não gostar de Machado de Assis. É bem natural, na verdade. Já li alguns clássicos que não gostei nem um pouco, ou que numa primeira leitura só me trouxe raiva e frustração (oi, Guimarães Rosa). Mas negar a importância de um autor tão marcante, reconhecido no mundo inteiro, orgulho nacional, ainda mais sendo ESTUDANTE DA AREA, isso para mim é inaceitável. É a mesma coisa que um físico dizer “Einstein nem é isso tudo” porque ele dorme enquanto lê sobre a teoria da relatividade.

De todo modo, essa raiva me trouxe algo muito bom: a vontade de reler Dom Casmurro. Era primeiro ano do ensino médio quando o meu professor de português (queridíssimo, aliás) pediu para o lermos. Admito que não gostei na época, achei chato (!).  Mais tarde, li alguns contos machadianos e gostei, depois li Memorias Póstumas de Brás Cubas e amei, principalmente na minha segunda leitura. A maturidade literária faz milagres. Por algum motivo, fiquei adiando Dom Casmurro, mas agora é a hora.

Já comecei e estou no capítulo XVIII (como leio pelo kindle, não sei informar a página). Posso adiantar que está sendo uma experiencia tão, mas tão maravilhosa. Tinha me esquecido como Machado de Assis pode ser poético. Juro juradinho que quando Bentinho se descobre enamorado de Capitu, me veio lagrimas aos olhos – é sensível, mas terrivelmente real. Sua forma de descrever os sentimentos florescentes de um adolescente é quase uma análise psicológica.

Vamos às minhas partes preferidas até agora:

i. A descrição deprimente do envelhecimento de Bento bem como de sua perda de si. Além de ser bonito pelas palavras, é também triste, pois logo comparamos com a sua versão juvenil cheia de vida e sentimentos explodindo pelo pulso de amar Capitu.

“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.”

ii. A vida como ópera. Dentre as digressões machadianas que são bem famosas, a comparação amalucada da vida como uma composição de ópera além de toda a conspiração herética em que Deus é o poeta e o Diabo é o músico na criação do mundo. Amei. Me lembrou um pouco, em certas passagens, o diálogo entre Pandora e Brás Cubas durante o desfile dos séculos.

“Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu.”

“Isto que digo é a verdade pura e última. Um dia. quando todos os livros forem queimados por inúteis, há de haver algum, pode ser que tenor, e talvez italiano, que ensine esta verdade aos 11 homens. Tudo é música, meu amigo. No princípio era o dó, e do dó fez-se ré, etc. Este cálix (e enchia-o novamente), este cálix é um breve estribilho. Não se ouve? Também não se ouve o pau nem a pedra, mas tudo cabe na mesma ópera…”

“Que é demasiada metafísica para um só tenor, não há dúvida; mas a perda da voz explica tudo, e há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados.”

iii. A conversa com o coqueiro. Deixo a citação falar por si.

“Um coqueiro, vendo-me inquieto e adivinhando a causa, murmurou de cima de si que não era feio que os meninos de quinze anos andassem nos cantos com as meninas de quatorze, ao contrário, os adolescentes daquela idade não tinham outro ofício, nem os cantos outra utilidade.”

iv. A descoberta do amor. Eu fiquei emocionada de verdade com a habilidade de Machado passar com tanta intensidade o turbilhão de sentimentos de Bentinho quando ele entende que está apaixonado por Capitu, sua amiga de infância. Não só revela o amor, mas também despede-se da infância. Gosto, principalmente, pois esse descobrimento vem da junção de vários sintomas, como o pensar constante, o afeto aos cabelos dela, o coração acelerado ao ouvir seu nome. Impossível escolher uma citação somente.

“E comecei a recordar esses e outros gestos e palavras, o prazer que sentia quando ela me passava a mão pelos cabelos, dizendo que os achava lindíssimos. Eu, sem fazer o mesmo aos dela, dizia que os dela eram muito mais lindos que os meus.”

“Pois, francamente, só agora entendia a comoção que me davam essas e outras confidências. A emoção era doce e nova, mas a causa dela fugia-me, sem que eu a buscasse nem suspeitasse. Os silêncios dos últimos dias, que me não descobriam nada, agora os sentia como sinais de alguma cousa, e assim as meias palavras, as perguntas curiosas, as respostas vagas, os cuidados, o gosto de recordar a infância. Também adverti que era fenômeno recente acordar com o pensamento em Capitu, e escutá-la de memória, e estremecer quando lhe ouvia os passos. Se falava nela, em minha casa, prestava mais atenção que dantes, e, segundo era louvor ou crítica, assim me trazia gosto ou desgosto mais intensos que outrora, quando éramos somente companheiros de travessuras. Cheguei a pensar nela durante as missas daquele mês, com intervalos, é verdade, mas com exclusivismo também.”

“Os olhos continuaram a dizer cousas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham.”

“Eu amava Capitu! Capitu amava-me! E as minhas pernas andavam, desandavam, estacavam, trêmulas e crentes de abarcar o mundo. Esse primeiro palpitar da seiva, essa revelação da consciência a si própria, nunca mais me esqueceu, nem achei que lhe fosse comparável qualquer outra sensação da mesma espécie. Naturalmente por ser minha. Naturalmente também por ser a primeira.”

“Quis insistir que nada, mas não achei língua. Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca fora.”


Desculpem, continuo uma besta romântica eternamente apaixonada pelo florescer do amor.

Pretendo continuar escrevendo posts sobre a leitura. Nada acadêmico, quero algo bem desinteressado, de uma leitora entusiasta falando com um amigo sobre o livro que está lendo, algo que não faço há anos. Se alguém se animar e pegar o livro para ler também, compartilhe comigo nos comentários ou em alguma rede social (todas estão aí do ladinho). É isso, até logo.   

eu escrevo para ser lida?

Me veio essa questão enquanto acompanhava um curso de introdução à leitura das obras de Hilda Hilst. Ela, como todo artista, queria palmas. Hilda queria ser publicada. Hilda queria ser lida. Hilda queria ser consumida.

Em vida, de modo geral, fracassou. Pós morte, virou pop. A humanidade tem dessas.

Mas, e eu? Não sei. Pouco falo para amigos que fiz um novo blog e penso com agonia se alguém está lendo o que eu escrevo. Porém, eu percebo que o meu medo vem da possibilidade do leitor me ver como uma má escritora. Uma talentosa medíocre. Fui assim a vida inteira, continuo sendo e serei até quando a terapia fizer efeito. A grande ironia é que escrevo na internet, no lugar mais exposto do mundo, talvez porque na verdade eu também quero meu lugar no palco das artes – mesmo que das artes insignificantes. Quero um pouquinho de atenção.

Volto à questão: eu escrevo para ser lida? Não, escrevo porque preciso. Por algum motivo, resolvi com as palavras compor o meu ofício. Labuta sem capital – não é com ela que pago o meu pão. Mas é com ela que eu nutro minha alma. Quanto prazer ela me dá!

De todo modo, apesar de não ser o fim, ser lida traz certo regozijo, uma jubilação do ego que tenta se afirmar no outro. Porém, assim como acontecia com Hilda, a necessidade imperiosa e urgente de escrever independe do numero de leitores.

esqueci de comentar mas sou de esquerda

Eu não acredito em isenção política. Não existe esse negócio de pensar “além das ideologias”. Tudo é político.

Sabendo disso, é para mim capital que eu diga logo, nos primeiros dias de vida desse espaço, que sou de esquerda. E falar sobre isso é também falar sobre mim. E falando de mim, falo da minha subjetividade que é, e sempre será, (in)conscientemente social.  

Comecei a tomar uma verdadeira consciência política em 2014, com as eleições presidenciais. Acho, que de certo modo, a partir dali boa parte da minha geração moldou seus primeiros direcionamentos – “sou de esquerda”, “sou de direita”, etc, debates rasos, mas constantes nos corredores escolares. Claro, a minha visão do que é ser esquerda desde então mudou muito, e, ainda bem, se tornou cada vez mais pautada em estudos e escutas de experiências (pois, afinal, do que vale uma politica que não leva em conta a vida das pessoas e de grupos sociais?). Minha família nunca foi politizada e/ou envolvidas em questões partidárias, porém, tinha uma tendência cega ao antipetismo e, por isso, 2014 para mim foi um ano significativo de rompimento.

Foi nesse fatídico ano queu tive um diálogo com um amigo do cursinho. Ele era liberal, enquanto eu era conhecida pelo grupo do fundão como comunista-doida (naquela época, mesmo já com uma divisão forte, ela não era violenta e ofensiva como hoje. Ser chamada de comunista-doida era só uma brincadeira). Não me lembro como tudo começou, só sei queu disse: “é que sou mais preocupada com propostas sociais, e depois penso na economia” e ele respondeu “E eu com a economia, e depois penso no social”. Houve, ali, o resumo de duas ideologias – um diálogo que se encaixa muito bem para explicar o pensamento de certas pessoas em tempos de pandemia.

Lembrei nessa conversa esses dias enquanto vi o vídeo da Rita Von Hunty “Haverá arte depois do corona vírus?” no qual ela, criticando certas declarações de políticos e personalidades contra a quarentena, diz: “a gente subverte a lógica da economia: colocam as pessoas para servir à economia, ao invés de criar uma economia que sirva às pessoas”. Sim, cirúrgico. E, bem: eu quero um sistema em que, quando há uma ameaça mundial à saúde humana, os trabalhadores possam ficar em casa sem precisar se preocupar se serão despedidos ou se terão dinheiro para comprar o arroz e feijão de amanhã. Não deveria e não poderíamos aceitar nos submeter a um colapso do sistema de saúde porque senão a roda da economia não vai girar. Isso é perverso.

E eu nem quero falar sobre Bolsonaro, pois, sinceramente, me faz mal. Pelo menos não agora.

Assim, ao dizer que sou de esquerda é quase um grito urgente de quem não pode aceitar um mundo assim. É um grito doloroso, difícil, desesperado, pois saber que está tudo errado não é uma tarefa simples de ser digerida. É como engolir seco um bacalhau bem salgado, sem a ajuda de um azeite para escorrer.

Mas é necessário.

E uma vez que você come, não tem volta.

a nossa história, na verdade, começa muito antes de medéia

Se eu vivesse na Grécia Antiga, introduzir um texto seria muito mais fácil: uma ode às musas aí, um puxa-saquismo de Zeus ali, dois epítetos e uma moça de bela cintura seriam elementos suficientes para dar começo à uma história muito mais interessante do que qualquer coisa que um dia você lerá aqui. Porém, não sou aedo e obviamente não tenho uma lira, não me lembro nem do que eu comi ontem (imagina só decorar mais de dez mil versos?!) e a minha vida não tem nada de épica – mas sigo tentando fazer o melhor com ela.

A vontade de criar esse blog veio de repente a partir de uma outra vontade já terrivelmente postergada de escrever ESCREVER ES – CRE- VER. Já tive um blog antes, mas os tempos malucos me fizeram deixá-lo de lado, até que no final não me identificava em nada com ele ao ponto de nem querer me despedir.

Só foi.

Adeus.

Aceite.

Mas eu ainda queria continuar escrevendo… Sim, eu sei: não preciso de um blog, algo tão obsoleto (!!!), para poder escrever, e a verdade é que sou tão tímida que não consigo lidar muito bem com outras pessoas lendo e julgando o que escrevo. Então, escolher postar tudo na internet não tem nenhum sentido para mim, mas é uma necessidade que vem de sei la onde, desde não sei bem quando. Rendo-me, dessa forma, à desculpa mais clichê: são os tempos modernos. Ai, os tempos modernos!

(porque afinal todo mundo é Narciso, e apesar do medo de se abrir para o mundo, secretamente quer ser querido e amado – essa, seria uma desculpa freudiana) (nunca li Freud).

Por isso, não vá esperando algo muito inovador com isso daqui – se nem a pessoa que criou consegue explicar muito bem pra quê serve, boa coisa não deve vir. Vou me considerar vitoriosa só de mantê-lo, e se um ou dois gatos que caíram de paraquedas quiserem continuar seguindo, ficarei muito grata (mas por favor, não me fale que você me lê pois quase morro de vergonha. Gradecida!).

Agora, apresento-me: sou Paloma, tenho vinte e quatro anos, faço Letras Português – Grego (cê jura?!) na Usp e atualmente estou fazendo um intercâmbio de um ano na Sorbonne Université (Paris IV). Sou filha única, com sol em sagitário, ascendente em escorpião, lua em sagitário, mercúrio em sagitário, vênus em sagitário, marte em sagitário, júpiter em sagitário (rs), mas meu coração é taurino e pisciano (!!). Não acredito em astrologia. Antes de vir para Paris, eu morava em São Paulo já fazia quatro anos e meio, mas moro sozinha desde os dezoito quando eu fiquei um ano em Vitória fazendo cursinho. Sim, sou capixaba – aquele estado conhecido por ter a melhor moqueca do Brasil (ou por estar entre a Bahia e o Rio de Janeiro, você escolhe). Apesar de passar muita raiva em quase tudo que eu faço, amo estar em Paris, amo estudar o que eu estudo, amo São Paulo e amo a minha faculdade, e gosto do meu trajeto um tanto peculiar de ter chegado até aqui (posso explicar a odisséia em um post futuro).

Amo animais mais que tudo e por isso eu deveria ser vegetariana, porém, o pódio é dividido com a comida, que é a coisa que eu também mais amo no mundo, aí eu entro em um dilema tão grande que quase explodo. Por enquanto eu como carne, mas estou tentando diminuir aos poucos e quem sabe um dia consigo parar de vez. Na espera, fico cuidando de cada gatinho (literalmente) que passam na minha porta com o fim de aliviar o meu martirio incansavel, e encaro cada arranhada como um castigo merecido.

Do meu futuro, sei três coisas: farei uma tatuagem, adotarei um gato (ou mais de um) e citarei Homero sempre que eu tiver oportunidade. Pois assim é a vontade de Zeus.

Agora, basta de apresentações. Nunca fui muito boa nisso mesmo.

Atualização: deixei um recado importante nos comentários, se possível, leia : )